O que o mapa astral pode dizer sobre quem se sente um extraterrestre na Terra

Você já sentiu saudade de um lugar onde nunca esteve? Algumas pessoas descrevem uma ligação profunda com as estrelas, como se carregassem a lembrança de outra origem. Outras relatam sonhos com mundos distantes, experiências difíceis de explicar ou a sensação persistente de serem estrangeiras na Terra.
Na astrologia contemporânea, essas vivências costumam ser relacionadas ao Centro da Galáxia, um ponto localizado no final de Sagitário. Antes de observar seu significado simbólico no mapa astral, vale compreender o que existe nessa região do cosmos.
O que é o Centro da Galáxia?
A Via Láctea é uma galáxia espiral formada por centenas de bilhões de estrelas. O Sistema Solar ocupa uma região relativamente afastada de seu núcleo, enquanto o Centro da Galáxia está localizado a aproximadamente 26 mil anos-luz da Terra, na direção da constelação de Sagitário. Trata-se de uma das áreas mais densas e energéticas da Via Láctea.
No coração dessa região encontra-se Sagittarius A*, um buraco negro supermassivo cuja massa equivale a cerca de quatro milhões de sóis. Ao seu redor orbitam estrelas em altíssima velocidade, além de grandes concentrações de gás, poeira, campos magnéticos e diferentes fontes de radiação. O Centro Galáctico, portanto, não se resume ao buraco negro: compreende toda uma região complexa e dinâmica que ocupa o núcleo da nossa galáxia.
Grande parte dessa área permanece encoberta pela poeira interestelar e não pode ser observada claramente em luz visível. Por isso, os astrônomos utilizam ondas de rádio, infravermelho e raios X para estudar sua estrutura. Em 2022, uma rede internacional de radiotelescópios apresentou a primeira imagem de Sagittarius A*, permitindo visualizar a matéria luminosa que se movimenta ao redor de sua região central. Para a astronomia, esse núcleo oferece informações fundamentais sobre a formação e a evolução da Via Láctea.

Onde fica o Centro Galáctico no mapa astral?
Quando a posição do Centro da Galáxia é projetada sobre o zodíaco tropical, ela se encontra no final de Sagitário, atualmente por volta de 27° do signo. Embora Sagittarius A* esteja alguns graus abaixo da eclíptica, a astrologia utiliza sua longitude eclíptica para localizá-lo no mapa, assim como acontece com estrelas fixas e outros pontos astronômicos.
Algumas fontes registram o Centro Galáctico em 26°51’ de Sagitário, enquanto outras já o situam além dos 27°. A diferença ocorre porque as coordenadas astronômicas são calculadas para determinadas épocas de referência. Como o zodíaco tropical acompanha a precessão dos equinócios, a posição indicada nos mapas avança lentamente ao longo do tempo. Por isso, textos mais antigos podem apresentar um grau ligeiramente diferente.
Na prática astrológica, 27° de Sagitário funciona como a principal referência. Planetas e pontos próximos a esse grau, ou ligados a ele por aspectos, podem estabelecer uma relação simbólica com o Centro da Galáxia. Ainda assim, não existe consenso absoluto sobre os orbes nem sobre quais aspectos devem ser considerados. Trata-se de um campo relativamente recente, desenvolvido sobretudo por autores da astrologia contemporânea.
O Centro Galáctico na astrologia contemporânea
O Centro da Galáxia começou a ser incorporado à astrologia por autores interessados em pontos do espaço profundo. Um dos principais nomes desse campo é Philip Sedgwick, que observa especialmente conjunções, oposições e quadraturas formadas por planetas com esse ponto no mapa.
Sedgwick relaciona a intensa emissão de radiação infravermelha proveniente dessa região a um processo simbólico de pressão sobre conteúdos psíquicos acumulados. Nas pessoas que possuem esses aspectos no mapa, isso poderia se manifestar pela emergência de memórias, crenças e informações antigas que precisam ser revistas. A liberação do que perdeu validade abriria espaço para novas percepções, insights e ideias pouco convencionais.
Essas informações podem surgir rapidamente, como soluções inesperadas ou compreensões que parecem antecipar algo ainda pouco evidente para os demais. Para Sedgwick, o desafio consiste em registrar, organizar e aplicar essas percepções, evitando que se percam em dispersão ou permaneçam apenas como impressões difíceis de comunicar.
António Rosa e a sensação de ter vindo de outras estrelas
Foi com o astrólogo português António Rosa que conheci uma interpretação mais específica do Centro Galáctico. Segundo seu ensinamento, pessoas que possuem os planetas do Sol a Saturno formando aspectos com esse ponto costumam relatar uma sensação difícil de explicar: a impressão de não pertencer inteiramente à Terra, a saudade de outras estrelas ou a convicção íntima de já terem vivido em outros planetas e esferas.
Essa leitura amplia a própria ideia de vidas passadas. Em vez de restringir a trajetória da alma às encarnações terrestres, considera a possibilidade de experiências anteriores em diferentes mundos e níveis de existência. O contato com o Centro Galáctico apareceria no mapa como um sinal dessa memória cósmica, percebida menos como uma recordação objetiva e mais como uma familiaridade profunda com tudo o que remete ao universo, às estrelas e às civilizações extraterrestres.
Isso também ajuda a compreender por que algumas pessoas se interessam por esses assuntos desde muito cedo, sentem-se estrangeiras no mundo ou carregam a nostalgia de um lugar que não conseguem localizar. O aspecto astrológico não comprova uma origem extraterrestre, mas oferece uma chave simbólica para uma experiência recorrente, presente tanto em relatos espirituais quanto na sensação subjetiva de ter vindo de muito longe.
A publicação de António Rosa que documenta sua visão ampliada sobre vidas passadas, Centro Galáctico e outras origens cósmicas é “Somos et’s em Urântia?”.
O que observar no mapa astral?
No recorte ensinado por António Rosa, devem ser observados os aspectos formados pelo Centro Galáctico com o Sol, a Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter e Saturno. A conjunção ocorre com planetas no final de Sagitário; a oposição, no final de Gêmeos; e as quadraturas, no final de Virgem ou Peixes. Trígonos e sextis também podem estabelecer essa ligação, envolvendo os graus finais dos demais signos de fogo e ar.
Como não existe consenso absoluto sobre os orbes, convém trabalhar com uma margem reduzida e dar maior importância aos aspectos mais exatos. Quanto menor a distância entre o planeta e o aspecto preciso com o Centro Galáctico, mais significativa tende a ser a conexão dentro dessa linha interpretativa.
A presença de um desses contatos não significa que a pessoa necessariamente se considere extraterrestre ou tenha lembranças conscientes de outras esferas. A manifestação pode surgir como fascínio permanente pelo cosmos, familiaridade com temas ligados a outras civilizações, sonhos recorrentes, sensação de deslocamento ou uma saudade difícil de associar a qualquer lugar conhecido na Terra.
Também é importante considerar o restante do mapa. A sensação de não pertencimento não pode ser atribuída exclusivamente ao Centro Galáctico. Urano em posição de destaque, especialmente quando forma aspectos fortes com o Sol, a Lua, Mercúrio ou o Ascendente, costuma acentuar a experiência de ser diferente, questionar padrões estabelecidos e não se reconhecer inteiramente nos grupos ou modelos disponíveis.
Uma forte presença de Aquário também pode reforçar essa percepção, trazendo afinidade com o incomum, o futuro, a tecnologia, o espaço e formas alternativas de organização da vida. Esses fatores não indicam, por si mesmos, uma origem extraterrestre. Eles podem, porém, complementar os aspectos com o Centro Galáctico e ajudar a compreender por que algumas pessoas se identificam tão intensamente com a ideia de serem estrangeiras na Terra.
Minha experiência com o Centro da Galáxia
No meu mapa, Saturno e Quíron no final de Peixes formam quadratura com o Centro Galáctico. Desde muito cedo sinto uma ligação profunda com o universo, com a possibilidade de outras civilizações e com a ideia de que a trajetória da alma pode atravessar diferentes mundos e esferas. Também já observei objetos voadores não identificados e sinto uma conexão especial com as Plêiades, como se esse grupo de estrelas despertasse uma familiaridade difícil de explicar racionalmente.
Esse interesse também encontra ressonância nas pessoas com quem convivo. Tenho amigos terapeutas que trabalham em conexão direta com mentores extraterrestres e outros que participaram de cursos com Christine Day, autora conhecida por seu trabalho espiritual ligado aos pleiadianos. Barbara Hand Clow, astróloga e autora do livro A Agenda Pleiadiana, é outra referência importante nessa corrente que relaciona evolução espiritual, consciência multidimensional e seres provenientes das Plêiades.
Nada disso constitui uma prova objetiva de origem extraterrestre. Para mim, porém, forma um campo de experiências, afinidades e símbolos que acompanha minha trajetória espiritual e criativa. Foi desse imaginário que nasceu a série Eu e os Extraterrestres, na qual exploro, por meio de imagens, histórias e humor, encontros com seres de outros mundos. As reações do público em minha página do Facebook mostram que o tema toca uma experiência coletiva: algumas pessoas relatam avistamentos e contatos, outras reconhecem a saudade das estrelas, enquanto muitas respondem com dúvida ou deboche.
Talvez a questão permaneça aberta: essa saudade representa uma memória da alma, uma experiência simbólica ou uma forma de expressar o estranhamento diante da vida terrestre? A astrologia não encerra o mistério, mas oferece algumas pistas para investigá-lo. Concluo repetindo a pergunta: e você, sente saudade das estrelas?
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