Ao completar 20 anos de atuação profissional, volto ao início dessa história para contar como a astrologia foi encontrando seu lugar na minha vida.

Existem caminhos que parecem se revelar aos poucos. Enquanto estamos vivendo, nem sempre percebemos a direção que determinados acontecimentos estão tomando. Só depois, quando olhamos para trás, conseguimos reconhecer conexões, mudanças de rumo e encontros que acabaram conduzindo a vida para um lugar que não estava necessariamente planejado.
Minha relação com a astrologia foi assim. Ela começou muito antes de se transformar em profissão e atravessou diferentes momentos da minha vida até ocupar o espaço que tem hoje. Ao longo desse percurso, fui entendendo também que estudar astrologia não significava apenas aprender uma técnica, mas descobrir uma linguagem capaz de ampliar minha compreensão sobre a vida, sobre as pessoas e sobre minha própria trajetória.
Agora, ao completar duas décadas de atuação profissional, senti vontade de voltar ao começo e contar essa história novamente, com o olhar de quem já consegue enxergar o caminho percorrido de outra perspectiva.
Quando a astrologia entrou na minha vida
Meu interesse pela astrologia começou muito antes de ela se tornar profissão. Ainda nos tempos de cursinho e faculdade, eu já sentia curiosidade pelo assunto e comecei a aprender por conta própria a calcular e desenhar mapas astrológicos. Naquela época, tudo era feito manualmente, com efemérides, tabelas e muitos cálculos. Eu estudava de maneira informal, movido principalmente pelo encantamento, e arriscava algumas interpretações para amigos e colegas.
Eu cursava Comunicação na USP e minha vida acabou seguindo por outros caminhos. A astrologia continuava ali, como um interesse que fazia parte de mim, mas ainda sem qualquer projeto profissional. Durante algum tempo, os estudos ficaram em segundo plano enquanto eu me dedicava a outras experiências na comunicação, nas artes e no trabalho.
Só alguns anos depois esse interesse voltaria com outra força. E não porque eu tivesse decidido me tornar astrólogo. Foi uma crise que começou a mudar a direção da minha vida.
A crise que me trouxe de volta
Em 2003, atravessei uma crise profissional importante. Hoje, olhando para o meu próprio mapa, reconheço aquele período como parte da quadratura de Plutão com Plutão natal, um trânsito associado a fases de profunda revisão e transformação. Na época, porém, eu não estava pensando em ciclos astrológicos. Estava tentando compreender o que estava acontecendo comigo e encontrar uma nova direção.
Foi nesse contexto que voltei à astrologia com outro grau de comprometimento. Passei a estudar de maneira mais sistemática e frequentei o curso da astróloga Débora Mattos, na antiga Clínica Antroposófica Sapientum. Ao mesmo tempo, minha busca se ampliava para outros campos do autoconhecimento e da espiritualidade. Reiki, Florais e Magnified Healing faziam parte daquele momento, e comecei também a pesquisar diferentes tradições e caminhos espirituais.
Vieram estudos e experiências ligados ao budismo, ao espiritismo e ao xamanismo. Mais tarde, esse percurso também me levaria à Umbanda. Eu ainda não sabia onde todas aquelas buscas iriam desembocar, mas começava a perceber que minha relação com a astrologia estava mudando. Já não me interessava apenas compreender características de personalidade ou acontecimentos externos. Eu queria entender o sentido mais profundo das experiências, dos ciclos e das transformações que atravessamos ao longo da vida.

O convite que eu não estava esperando
Três anos depois, em maio de 2006, aconteceu uma daquelas coincidências que só ganham toda a dimensão quando olhamos para trás. Recebi uma ligação do jornalista Fábio Santos, meu ex-colega da USP, que eu não via havia muitos anos. Ele seria o diretor de redação do Destak, jornal que estava sendo lançado em São Paulo, e me fez uma proposta completamente inesperada: queria que eu assinasse a coluna de horóscopo.
Fábio se lembrava de que eu fazia mapas astrológicos nos tempos da faculdade, algo de que eu mesmo quase não me recordava. Procurava para o jornal uma abordagem leve, clara e contemporânea e acreditava que minha experiência com comunicação poderia trazer esse tom para a astrologia. O curioso é que, apesar de já estar estudando com muito mais profundidade, eu ainda não me sentia pronto para assumir publicamente o papel de astrólogo.
Pedi um tempo para pensar e telefonei para uma grande amiga, médica da clínica que eu frequentava. Contei sobre o convite e sobre minhas dúvidas. Ela me respondeu com uma pergunta que acabou mudando a maneira como eu enxergava aquela oportunidade: “Você vai perder a chance de dizer coisas boas para um grande número de pessoas? Essa é sua missão!”
Aquilo ficou reverberando em mim. Até então, eu pensava principalmente se tinha conhecimento suficiente para escrever uma coluna. A pergunta dela deslocou meu olhar: o que eu poderia fazer com aquele espaço? Foi quando comecei a entender que mesmo um pequeno texto de horóscopo poderia oferecer reflexão, consciência, estímulo e uma maneira mais construtiva de olhar para os desafios da vida.
Quando a astrologia virou profissão
Depois que aceitei o convite do Destak, mergulhei de vez nos estudos. Comprei novos livros, passei a acompanhar o céu diariamente e comecei a escrever pequenos boletins astrológicos por e-mail para amigos sempre que alguma configuração me chamava atenção. Era 2006. Eu ainda não tinha blog nem redes sociais, e os atendimentos aconteciam principalmente entre pessoas próximas.
Em um desses boletins, escrevi sobre uma configuração ligada a prosperidade e abundância e sugeri um pequeno ritual para acompanhar aquele momento. Enviei o texto para alguns amigos e, de algum modo, ele chegou à produção do programa Mais Você, da TV Globo. No dia 11 de outubro de 2006, Ana Maria Braga realizou o ritual ao vivo no programa e mencionou meu nome. Minha irmã estava assistindo e me telefonou imediatamente para contar.
Na semana seguinte, liguei para a produção apenas para agradecer e deixar meus contatos. Quem atendeu foi, por outra dessas coincidências improváveis, uma antiga colega da faculdade que eu também não via havia anos. Ela me apresentou à chefe de pauta e, no dia seguinte, 17 de outubro de 2006, eu estava ao vivo no palco do Mais Você, falando sobre astrologia e a Era de Aquário.

Depois dessa participação, tudo ganhou outra dimensão. Comecei a receber ligações de diferentes partes do Brasil de pessoas que tinham me visto na televisão e queriam marcar consultas. Até então, eu estudava, escrevia a coluna e atendia um círculo relativamente próximo. A partir dali, a astrologia passou definitivamente a ocupar o centro da minha vida profissional.
O caminho se amplia
Nos anos seguintes, o trabalho cresceu em várias direções. Em 2008, criei meu blog como um espaço para compartilhar previsões, reflexões e conteúdos sobre astrologia. Com o tempo, ele alcançou um público enorme e, em seu auge, chegou a registrar mais de 150 mil visitas por dia. A internet abriu uma possibilidade que me fascinava: conversar diretamente com pessoas de muitos lugares e tornar o conhecimento astrológico mais acessível.
Foi também através do blog que conheci o astrólogo português António Rosa, criador do Cova do Urso. O encontro virtual se transformou em uma grande amizade. Passei a estudar com o António e a viajar com frequência para Portugal, onde ministrei cursos e realizei atendimentos. Ao mesmo tempo, continuava circulando pelo Brasil com palestras, aulas e consultas em diferentes cidades.
Essas experiências ampliaram muito a minha visão da astrologia. Cada consulta trazia uma história diferente, cada turma levantava novas questões e cada viagem acrescentava outras perspectivas. Aos poucos, meu trabalho começava a ganhar uma identidade mais definida, cada vez mais ligada à busca por sentido, aos processos de transformação e à dimensão espiritual da experiência humana.
Foi nesse contexto que uma vertente que eu já vinha pesquisando começou a ocupar um lugar cada vez mais importante no meu trabalho: a Astrologia Cármica.

O encontro com a Astrologia Cármica
O aprofundamento na Astrologia Cármica aconteceu aos poucos, acompanhando as questões que surgiam nos atendimentos e também a minha própria trajetória espiritual. Em 2007, conheci a Umbanda na Casa de São Lázaro, em São Paulo, experiência que se tornaria muito importante para mim. Ao mesmo tempo, fui estudando cada vez mais abordagens que consideravam o mapa não apenas como um retrato da personalidade, mas como parte de uma história maior da alma.
Nos atendimentos, comecei a observar com mais atenção temas ligados a padrões que se repetiam, vínculos familiares e ancestrais, relações cármicas, memórias emocionais e potenciais que pareciam pedir desenvolvimento. Quanto mais mapas eu estudava, mais percebia que determinadas configurações ganhavam outra profundidade quando eram compreendidas dentro de uma trajetória evolutiva.
Com o tempo, essa visão deixou de ser apenas uma área de pesquisa e passou a orientar cada vez mais o meu trabalho. Fui reunindo estudos, experiências e observações feitas ao longo das consultas, construindo uma abordagem própria da Astrologia Cármica, que mais tarde se tornaria também a base dos meus cursos e da formação.
Ensinar, formar e escrever
Em 2012, fui convidado a assinar a coluna de horóscopo do Portal UOL, onde permaneci até 2018. Foi mais uma etapa importante na ampliação do meu trabalho e na experiência de comunicar astrologia para um público muito amplo. Em 2018, iniciei também a primeira turma da minha Formação em Astrologia Cármica.
Ensinar trouxe um novo desafio: organizar e sistematizar tudo aquilo que eu vinha estudando, observando e aplicando nos atendimentos. A formação foi se desenvolvendo ao longo dos anos, incorporando novas pesquisas, exercícios e maneiras de interpretar o mapa. Agora, em 2026, chegamos à nona turma, depois de um percurso que também foi transformando a minha própria forma de ensinar astrologia.

Outra parte importante desse caminho foi a pesquisa e a escrita. Em 2025, publiquei Quíron: A Ponte entre o Céu e a Terra, pela Editora Alfabeto, resultado de anos de estudo sobre um tema que sempre ocupou um lugar especial no meu trabalho. O lançamento aconteceu na Livraria da Vila, em São Paulo, e marcou mais uma etapa dessa trajetória que começou tantos anos antes, quando eu ainda calculava mapas manualmente por pura curiosidade.
O que 20 anos de mapas me ensinaram
Depois de milhares de atendimentos, uma das coisas que mais me impressiona é perceber que cada mapa conta uma história única. Podemos encontrar configurações semelhantes, padrões que se repetem e temas recorrentes, mas a maneira como cada pessoa vive tudo isso nunca é exatamente a mesma. O mapa ganha sentido quando conseguimos relacionar seus diferentes elementos à história de quem está diante de nós.
Ao longo desses anos, fui compreendendo cada vez mais a astrologia como uma ferramenta que pode ser aplicada concretamente à vida. Ela pode ajudar a reconhecer padrões, compreender experiências, alinhar escolhas aos propósitos da alma, perceber vocações e caminhos profissionais, cultivar uma relação mais consciente com a prosperidade e identificar potenciais que ainda não estão sendo desenvolvidos.
Compreender os ciclos também faz parte disso. Há momentos de expansão, recolhimento, revisão, mudança e construção. Quando entendemos melhor o tempo que estamos vivendo, podemos fazer escolhas mais coerentes com aquele momento e atravessar os processos com mais consciência. Para mim, a astrologia não existe para determinar a vida, mas para ajudar a vivê-la com mais sentido, direção e fluidez.
E talvez uma das maiores lições tenha sido justamente esta: o estudo nunca termina. Cada mapa traz novas perguntas, cada pessoa amplia nosso olhar e cada ciclo da própria vida nos faz compreender a astrologia de outra maneira. Depois de 20 anos, continuo estudando, pesquisando e descobrindo novas camadas dessa linguagem.
Um novo ciclo
Chegar aos 20 anos de atuação profissional me faz olhar para tudo o que foi construído, mas também para aquilo que ainda quero desenvolver. A Astrologia Inteligente faz parte desse novo momento. O que nasceu como um portal de conteúdos está se transformando em uma plataforma que reúne mapas, análises, previsões, relatórios, ferramentas e recursos para quem deseja estudar e vivenciar a astrologia com mais profundidade.
Também é nesse momento que nasce a Turma Júpiter, nona turma da Formação em Astrologia Cármica. Para marcar essa passagem, no dia 26 de setembro, das 14h às 16h, vou realizar a masterclass gratuita Astrologia Cármica e Jornada da Alma, com conteúdo, prática e leitura de mapas ao vivo. Durante o encontro, também vou apresentar oficialmente a nova turma, sortear uma bolsa de estudos e entregar um eBook especial preparado para esta celebração.
Vinte anos depois daquela primeira coluna de horóscopo, sinto que um novo ciclo está começando. A forma de trabalhar mudou, as ferramentas mudaram e os projetos cresceram, mas permanece a mesma curiosidade que me fez abrir uma efeméride tantos anos atrás e tentar compreender o que aquele mapa tinha para contar.
Vem comigo pra masterclass gratuita! Vamos comemorar juntos nesse sábado à tarde. Tô preparando presentes pra quem participar. Basta entrar no grupo do WhatsApp pra receber as informações e o link da aula: ENTRAR NO GRUPO

Leia também: Astrologia Clássica e Astrologia Cármica: qual é a diferença?